O que podemos aprender com o modelo de gestão de resíduos orgânicos da Coreia do Sul

Desde a proibição do descarte de resíduos alimentares em aterros em 2005 e a proibição do despejo de seu subproduto líquido no oceano em 2013, a Coreia do Sul opera um programa de compostagem que recicla quase 100% dos resíduos alimentares de quase 10 milhões de pessoas e os transforma em fertilizantes, rações animais e biogás.

O sucesso do programa não veio sem desafios. No início, muitos residentes não estavam acostumados a separar e coletar resíduos alimentares, levando a infrações e medidas punitivas. No entanto, foi através do ativismo de base e da educação contínua que a aceitação e a participação aumentaram. Hoje, os residentes de Seul utilizam sacos específicos para resíduos alimentares, cujo custo ajuda a financiar o transporte e processamento desses resíduos.

Estão desde os anos 90 nesse processo, sendo os primeiros anos uma curva de aprendizado, “houve muita tentativa e erro, muita experimentação” e que apenas em 2013 o programa pôde ser considerado um sucesso, como disse Kim Mi-hwa, presidente da Rede do Movimento Lixo Zero da Coreia. Ou seja, mais de 20 anos tentando até possuírem bons resultados.

Um dos primeiros problemas foi a falta de segregação. Não acostumados a ter que separar e coletar resíduos de alimentos dentro de casa, muitos recorreram a esconder seus resíduos de alimentos em lixeiras públicas. Os governos locais ofereceram recompensas aos informantes que denunciassem os infratores, que por sua vez seriam multados. No entanto, as medidas punitivas tinham seus limites. Foi o ativismo de base do grupo de Kim que realmente ajudou a mudar a situação.

Organizações locais realizaram fóruns públicos e eventos de divulgação, explicando a importância da separação de resíduos. Esses esforços resultaram em mais de 1.000 eventos anuais, persuadindo a população a participar do programa.

Embora ciente do interesse global na história de sucesso da Coreia do Sul, Kim acredita que o melhor esquema de reciclagem é aquele que se adapta às circunstâncias únicas de cada país. Persuadir uma população inteira a separar voluntariamente seus resíduos não é uma ciência exata. “O que o modelo sul-coreano prova é que isso pode ser feito se você dedicar tempo e esforço à educação e divulgação”, disse Kim. “Os sul-coreanos não se tornaram conscientes de repente da noite para o dia. Mas as mentes podem ser mudadas com o tempo.”

A mudança é possível com tempo, esforço, educação e, claro, investimento. A conscientização sobre a quantidade de resíduos que geramos e a implementação de sistemas de reciclagem eficazes são passos cruciais para um futuro sustentável.

Eles faziam mais de 1.000 eventos sobre conscientização por ano, fazendo a meia culpa, quanto nós fazemos por ano?

Porém, claro, devemos olhar para a realidade local para termos soluções que se adequem à cultura, possibilidade de financiamento e forma de participação das pessoas.

Adaptado por Artur Ferrari Francisco

Materia Original: How South Korea’s composting system became a model for the world

Crédito: Artigo adaptado originalmente publicado por lA Times, escrito por Max Kim. Link da matéria completa: https://www.latimes.com/world-nation/story/2023-08-24/how-south-koreans-composting-system-became-a-model-for-the-world

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